Adolescente encontrada morta em Porto Velho foi retirada da escola há quase três anos, diz Seduc
De acordo com a Seduc, Marta manteve vínculo com a rede estadual até junho de 2023. Na época, o responsável legal solicitou a transferência da estudante para outro estado, documento que consta nos arquivos da Escola Estadual Jânio Quadros.
A Prefeitura de Porto Velho também informou que a adolescente não tinha vínculo com a educação municipal.
Em entrevista ao g1, uma das tias da menina disse que Marta permaneceu em Rondônia e não foi para a Paraíba. Segundo ela, a adolescente ficou sem estudar após a transferência solicitada pelo pai.
A secretaria explicou que, em casos de transferência para outro estado, a emissão da declaração escolar ocorre a pedido do responsável e não exige comprovação de matrícula na unidade de destino.
Ainda segundo a pasta, foram solicitados à escola todos os documentos e registros referentes ao período em que a adolescente esteve vinculada à rede estadual, para colaborar com eventuais esclarecimentos.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado da Paraíba, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
O caso
O pai da jovem, Callebe José da Silva, confessou que mantinha a filha amarrada todas as noites com fios elétricos e a deixava trancada em casa durante o dia. Testemunhas também relataram que ela sofria maus-tratos constantes, incluindo cortes de cabelo forçados como forma de punição.
A família foi presa por suspeita de crimes de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
Quem era Marta?

Caso Marta Isabelle: quem era a adolescente encontrada morta com sinais de tortura
Em entrevista ao g1, a tia de Marta contou que a jovem nasceu na Paraíba e, ainda criança, foi morar com o pai em Rondônia. Segundo ela, a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020, no aniversário do próprio filho. Desde então, o contato entre elas diminuiu.
Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto. De acordo com a tia, esse foi o último registro em vida ao qual a família teve acesso (veja acima).
“Dizem que a gente sabia, mas não sabíamos de nada. Se soubéssemos, jamais teríamos permitido. Eles privaram ela de tudo: celular, redes sociais, contato com a família”, relatou.
A tia afirmou que a jovem era querida por todos e que ninguém tinha conhecimento das agressões.
“Martinha era muito amada. Tinha suas rebeldias de adolescente, mas era uma menina boa, sonhadora. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse.
Mesmo com a falta de contato frequente, a tia disse que enviava mensagens aos responsáveis legais de Marta para saber como a adolescente estava e sempre recebia a mesma resposta: “ela estava bem”.
Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos — Foto: Mateus Santos/g1











